“Espelho, espelho meu”: Livro inspirado em conto infantil retrata experiências de jovens negras

Ilustração por Leandra Gonçalves

Práticas que tem ganhado frequência em instituições educacionais, a implantação de atividades e projetos interdisciplinares que incluem diversas habilidades e ramos de conhecimento —, tem gerado frutos que impactam a vida de alunos, docentes e todos àqueles que entram em contato com as produções dessa modalidade.

É o caso do projeto editorial e audiovisual do curso de Design com ênfase em Meios Digitais da Universidade Salvador (UNIFACS), promovido pela professora Renata Kalid. Os alunos da disciplina Projeto Gráfico II tinham como base para suas produções o conto da Branca de Neve e os caminhos que poderiam seguir a partir dessa temática variavam da questão de gênero até mesmo a xenofobia.

As alunas Fabiana Luze, Leandra Gonçalves, Maria Eduarda, Paloma Lima e Suelen Gonçalves utilizaram na produção do livro “Espelho, espelho meu” a discussão sobre os padrões de beleza impostos socialmente. A obra que em maior parte está direcionada a ilustração, é guiada pelo questionamento que marca a história da Branca de Neve e narra os encontros de uma mulher negra e gorda com o espelho em diversos momentos, em busca de mudanças específicas para o seu corpo.

Para além do “Espelho, espelho meu” o projeto conta com um produto audiovisual que nos permite um olhar mais profundo sobre auto estima, autoconhecimento e as mais variadas questões ligadas aos padrões ideais de beleza.

“Mesmo ocorrendo mudanças ela nunca chega a um estado de satisfação, assim se inicia um ciclo vicioso…

A frase que acompanha a descrição do projeto, reflete a experiência de mulheres negras na busca incansável por um ideal de beleza que nunca é alcançado, seja ele por fatores raciais ou sociais. É o que compartilha Leandra Gonçalves, ilustradora do livro e uma das integrantes da nossa equipe de ilustração, em relação ao processo de produção produção artística do livro.

“Foi um projeto pra eu parar e refletir, foi quando eu comecei a refletir de verdade, sobre questões que ainda me faziam mal e eu não sabia, principalmente estéticas. Meu maior problema sempre foi com o corpo, ou com o cabelo.”

Falar sobre experiências que envolvem auto estima, padrões de beleza e as variadas opressões que atingem as mulheres, sobretudo mulheres negras, é reviver as próprias feridas. Com o auxílio da arte e das potências individuais, as estudantes de design tornaram um debate que desperta tensões variadas, em um momento importante de reflexão sobre escolhas, aceitação e auto amor.

Imagens do Livro “Espelho Espelho Meu” – Ilustrações de Leandra Gonçalves

Brenda Cruz

Brenda Cruz, é estudante de jornalismo da Universidade Jorge Amado e cria da Sussuarana, bairro do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Ativista de causas com recorte em gênero e raça, é também colaboradora do Desabafo Social e integrante do Coletivo Mamilos Prateados, onde produz rodas de conversas e palestras sobre gênero, raça e sexualidade em escolas públicas. No PBF, atua como colunista.
“É seguir trilhando caminhos marcados por muitas outras que nos antecederam, com honra e responsabilidade. É manter aberto o diálogo sobre todas as problemáticas que perpassam sobre nós.” (Brenda Cruz)

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