25 de Julho: mais um ano refletindo

Ilustração por: Tainá Esquivel 

Esse texto foi escrito no ano de 2018, e publicado em nosso Medium, quando tudo ainda era um sonho e o portal estava na fase de arrecadação de doações na campanha online para realização do site.

Hoje, a manhã trouxe uma energia diferente. Ao mesmo tempo que desejei chorar, me lembrei da força e luta de nossas ancestrais. Dia 25 de Julho é uma data carregada de muitas emoções, memórias e histórias. É o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, é o nosso dia. Declarado em 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em São Domingos, na República Dominicana, partiu da organização de mulheres negras que buscavam dar início ao debate de nossas especificidades, já que nem o movimento negro, nem o movimento feminista as contemplavam. 

Trata-se de um dia reflexivo, que nos faz lembrar de Marielle Franco, de Tereza de Benguela e da diferença de 71% da taxa de homicídios entre mulheres negras e brancas. A relevância do Dia da Mulher Negra se encontra justamente na valorização da nossa luta, ainda atual e diária, contra o racismo, o sexismo, a xenofobia e as diversas formas de opressão, além de exaltar as ações econômicas, políticas, intelectuais e sociais provindas da articulação das mulheres negras da América. Apesar da falta de respostas sobre o caso de Marielle, conquistamos recentemente a inclusão da data 14 de Março no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro como o Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra. 

Dandara, Luíza Mahín, Maria Felipa de Oliveira, Conceição Evaristo são outros nomes que passam pela minha cabeça e me acalmam. Essas mulheres moveram e ainda movem estruturas, nos mostrando que ainda há esperança e que temos um legado de resistência a perpetuar para as novas gerações. Tais mulheres, lembram que precisamos nos organizar, exigir mudanças, tais como o cumprimento da lei 10.639 de 2003, que torna obrigatório o ensino sobre a Cultura Afro-Brasileira, para que nossa história de luta receba o merecido reconhecimento.

Sinto a nossa força e celebro este dia com minhas irmãs pretas do meu círculo social mas não deixo de refletir sobre ele. Aproveito e convido os homens e as mulheres brancas a fazerem o mesmo, aguardando pelo dia em que a mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha seja reconhecida não somente por essa data em específico em nosso calendário.

Dia 25 de Julho propõe muitas reflexões, principalmente em relação a como nos movimentar e continuarmos progredindo, mesmo quando temos inúmeras razões para não prosseguir. Necessitamos, portanto, estar presentes ou minimamente divulgar os eventos que debatem nossas questões, nossas vidas. Inteirem-se acerca das marchas em suas cidades, participem de grupos de estudos e principalmente, compartilhem conhecimento, pois só assim TODAS NÓS seremos livres!

 

Lívia Nara

Lívia Nara é a mascote da turma! Apesar da pouca idade, foi responsável pelo primeiro texto autoral do portal disponibilizado na plataforma Medium, publicado no dia 25 de julho de 2018, dia da Mulher Negra Afro-Latina Americana e Caribenha.
“O meu desejo é trazê-las para perto e fazer com que cresçamos juntos, porque, afinal, é nós por nós sempre.” (Lívia)

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